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64% dos brasileiros compram algo não planejado por causa de cupom surpresa

Você entra em uma loja virtual apenas para conferir o preço de um produto. Não pretendia comprar nada naquele momento, mas aparece um cupom de desconto inesperado. De repente, aquele item que parecia dispensável passa a parecer uma oportunidade que não deve ser desperdiçada. A sensação de economizar pode ser suficiente para mudar a decisão de compra.

Essa situação ajuda a entender um comportamento observado no comércio eletrônico brasileiro: os cupons não servem apenas para reduzir o preço de produtos que já estavam na lista de compras. Em determinadas circunstâncias, também podem estimular o consumidor a adquirir algo que não pretendia comprar.

Uma pesquisa divulgada pela Serasa, em parceria com o Instituto Opinion Box, em agosto de 2026, trouxe um dado expressivo: 64% dos brasileiros entrevistados afirmaram já ter comprado um produto que não estava planejado por causa de um cupom de desconto. O resultado mostra como um benefício promocional pode interferir na decisão de compra, embora não signifique que todas essas compras tenham sido prejudiciais ou motivadas por um impulso incontrolável.

Ao longo deste artigo, vamos analisar o significado desse percentual, entender por que uma oferta inesperada pode mudar os planos de consumo, observar outros números do levantamento e apresentar formas de aproveitar descontos sem transformar cada promoção em uma despesa adicional.

O número que chama atenção

64%

dos entrevistados afirmaram já ter comprado algo que não estava planejado por causa de um cupom de desconto.

Fonte: Serasa e Instituto Opinion Box. Pesquisa realizada em maio de 2026 com 1.051 consumidores.
Consultar a publicação original.

O que significa dizer que 64% compraram algo fora do planejamento?

O primeiro cuidado ao interpretar a pesquisa é entender exatamente o que o número representa. Os 64% correspondem aos entrevistados que disseram já ter comprado um produto não planejado por causa de um cupom de desconto. Portanto, o indicador descreve uma experiência declarada pelos participantes, e não a frequência com que cada pessoa realiza esse tipo de compra.

Isso significa que o levantamento não permite afirmar que 64% dos brasileiros fazem compras impulsivas todos os meses, que gastam determinada quantia adicional ou que se arrependem de todas as aquisições motivadas por cupons. Para chegar a essas conclusões, seriam necessárias informações específicas sobre frequência, valores gastos e consequências financeiras.

Mesmo com essa ressalva, o resultado é relevante. Ele mostra que a influência de uma promoção pode ultrapassar o objetivo inicial de economizar. Uma pessoa que procura um desconto para comprar um produto necessário pode acabar incluindo outro item no carrinho simplesmente porque surgiu uma oportunidade aparentemente vantajosa.

Imagine alguém que entra em uma loja virtual para comprar um tênis. Durante a navegação, encontra um cupom para uma mochila. A mochila não estava nos planos, mas o desconto cria uma nova justificativa para a compra. O consumidor pode realmente precisar dela e aproveitar uma boa oportunidade. Também pode estar gastando dinheiro em algo que continuaria sem comprar se a oferta não tivesse aparecido.

É essa diferença que torna o tema interessante: um desconto pode representar economia em uma compra necessária ou apenas reduzir o preço de uma despesa que não existiria sem a promoção. O percentual da pesquisa revela a influência declarada do cupom, mas não determina sozinho se cada decisão foi positiva ou negativa.

Como a pesquisa ajuda a entender o comportamento dos consumidores

O levantamento divulgado pela Serasa foi realizado pelo Instituto Opinion Box entre 8 e 13 de maio de 2026. A pesquisa ouviu 1.051 consumidores por meio de entrevistas online, com participantes de todas as regiões brasileiras. A margem de erro informada pela publicação é de três pontos percentuais.

Esses detalhes são importantes porque permitem contextualizar os resultados. Trata-se de uma pesquisa de opinião baseada nas respostas dos participantes, não de um registro de todas as transações feitas no comércio eletrônico do país. A metodologia ajuda a compreender a experiência declarada pelos entrevistados, mas os resultados devem ser interpretados dentro desses limites.

A mesma publicação informa que 36% utilizam cupons pelo menos uma vez por mês e que 70% afirmam economizar mensalmente com essa prática. Entre os usuários de cupons, 22% dizem recorrer aos benefícios sempre que encontram essa possibilidade, enquanto 69% apontam a economia direta como principal motivação para usar os descontos.

64%

Compras não planejadas

Já compraram um produto não previsto por causa de um cupom.

70%

Economia mensal

Afirmam economizar mensalmente com cupons.

73%

Cupons indisponíveis

Já desistiram de uma compra por não encontrar cupom válido no checkout.

Fonte dos três indicadores: pesquisa Serasa/Opinion Box, divulgada em agosto de 2026. Os percentuais representam indicadores distintos e não devem ser somados nem tratados como grupos mutuamente exclusivos.

Juntos, os números revelam uma relação que merece atenção. Os cupons são valorizados porque ajudam a reduzir despesas, mas também podem alterar o comportamento de compra. O desafio não é deixar de aproveitar promoções, e sim identificar quando o benefício atende a uma necessidade real e quando está criando uma necessidade que não existia.

Por que um cupom surpresa pode mudar a decisão de compra?

1. A sensação de economizar torna a oferta mais atraente

Quando um consumidor encontra um desconto inesperado, é comum concentrar a atenção no dinheiro que aparentemente deixará de gastar. Um produto de R$ 200 com um desconto de R$ 40 passa a custar R$ 160. A redução é real se as condições da oferta forem cumpridas e o preço original for legítimo.

Entretanto, se o produto não fazia parte dos planos, os R$ 40 economizados não representam uma economia em comparação com a decisão de não comprar. Nesse cenário, a pessoa desembolsa R$ 160 em vez de manter o dinheiro disponível. O preço reduzido pode ser vantajoso, mas não transforma automaticamente o produto em uma necessidade.

2. A urgência pode encurtar o tempo de reflexão

Alguns cupons possuem prazo de validade, quantidade limitada ou condições que parecem exigir uma decisão imediata. Quando a mensagem sugere que a oportunidade desaparecerá em poucos minutos, o consumidor pode sentir que precisa agir antes de comparar preços ou avaliar o orçamento.

Uma oferta legítima pode ter regras e prazos específicos. Ainda assim, a urgência não deve substituir a análise. Vale perguntar se o produto seria interessante pelo preço final mesmo sem o aviso de tempo limitado e se existe uma razão concreta para comprá-lo naquele momento.

3. O desconto pode justificar uma vontade que já existia

Nem toda compra não planejada surge do nada. Às vezes, o consumidor já desejava determinado item, mas ainda não havia decidido quando comprá-lo. Ao encontrar um cupom, interpreta a oferta como o momento ideal para realizar a compra.

Nesse caso, a promoção pode ajudar a antecipar uma despesa futura. O resultado será mais favorável se o desconto for verdadeiro, o preço final estiver competitivo e a aquisição couber no orçamento. O risco aparece quando a vontade de aproveitar o cupom passa a ser mais importante do que a utilidade do produto.

4. A navegação pode revelar produtos que não estavam na lista

Lojas virtuais, aplicativos e páginas promocionais facilitam a descoberta de novos produtos. Durante uma pesquisa, o consumidor pode encontrar itens complementares, lançamentos ou ofertas de outras categorias. Um cupom direcionado a esses produtos pode ampliar o interesse e levar à inclusão de itens adicionais no carrinho.

Descobrir algo interessante não é um problema por si só. O importante é perceber que a disponibilidade de uma oferta não significa que seja necessário aproveitá-la. Uma pausa antes de finalizar o pedido permite distinguir uma oportunidade relevante de uma decisão tomada apenas porque o desconto apareceu.

O outro lado dos dados: 73% já desistiram sem encontrar um cupom

Um segundo resultado da pesquisa da Serasa chama atenção: 73% dos entrevistados afirmaram já ter desistido de uma compra por não encontrar um cupom válido no momento de finalizar o pedido. Esse indicador mostra que o desconto também pode funcionar como uma condição esperada pelo consumidor durante o checkout.

A ausência do cupom pode mudar a percepção sobre o preço. Uma pessoa que chegou ao carrinho esperando pagar menos pode considerar o valor final pouco atrativo e abandonar a compra. Isso não significa necessariamente um comportamento negativo. Se o produto ficou caro demais ou deixou de oferecer uma boa relação entre preço e benefício, desistir pode ser uma decisão financeira sensata.

Por outro lado, a expectativa de encontrar sempre um código promocional pode fazer com que o consumidor adie uma compra necessária ou procure descontos sem avaliar o custo total. Em alguns casos, o preço normal de uma loja pode ser inferior ao preço promocional de outra, mesmo quando esta última oferece um cupom.

Por isso, vale comparar o preço final em vez de considerar apenas a existência de um código. Frete, prazo de entrega, regras de utilização e condições de pagamento também influenciam o valor real da oferta. Um cupom que parece excelente pode trazer pouca vantagem se houver um custo de entrega elevado ou se o desconto depender de uma compra mínima desnecessária.

Quando o cupom representa economia de verdade?

A melhor forma de avaliar uma promoção é considerar o cenário completo. O desconto precisa ser analisado em relação ao preço praticado, à necessidade do produto e ao dinheiro disponível para a compra. Isso evita que o consumidor confunda o valor abatido no carrinho com uma economia efetiva no orçamento.

SituaçãoO que avaliarDecisão mais consciente
Produto já estava na listaPreço final, frete e validade do cupom.Comparar lojas e aproveitar se a oferta compensar.
Produto apareceu por acasoNecessidade real e impacto no orçamento.Evitar comprar apenas para não perder o desconto.
Cupom exige valor mínimoSe seria necessário adicionar itens ao carrinho.Calcular se a compra completa realmente fica mais barata.
Oferta parece urgenteRegras, preço em outras lojas e confiabilidade do vendedor.Não deixar a pressão do tempo substituir a comparação.
Desconto disponível em vários produtosSe cada item tem utilidade e cabe no orçamento.Priorizar o que realmente faz sentido comprar.

Um exemplo simples ajuda a visualizar essa diferença. Imagine que uma pessoa precise comprar um produto de R$ 150 e encontre um cupom de R$ 30. Se o desconto for válido e não houver custos adicionais inesperados, o preço cairá para R$ 120. Nesse caso, o benefício reduz o custo de uma compra prevista em R$ 30.

Agora imagine que a mesma pessoa encontre outro produto de R$ 100 que não pretendia adquirir. Um cupom de 20% reduz seu preço para R$ 80, mas o consumidor termina a compra gastando R$ 200 no total, em vez dos R$ 120 que pagaria pelo item necessário. O segundo desconto é real, mas a despesa adicional também é: foram R$ 80 a mais no carrinho.

A comparação não significa que o segundo produto seja necessariamente inútil. Ela mostra que a decisão precisa considerar o conjunto das despesas. Economizar em cada produto não é a mesma coisa que gastar menos no total.

Como aproveitar cupons sem transformar descontos em gastos extras

É possível continuar utilizando códigos promocionais sem abrir mão do planejamento. Algumas medidas simples ajudam a manter o controle, inclusive quando surge uma oferta inesperada durante a navegação.

1. Faça uma lista antes de começar a pesquisar

Anote os produtos que realmente precisa comprar e, quando possível, defina um limite de gasto. A lista funciona como referência quando aparecem ofertas de itens que não estavam nos planos. Se surgir um cupom inesperado, será mais fácil decidir se o produto deve entrar na lista ou se pode esperar.

2. Compare o preço final, não apenas a porcentagem

Um desconto de 10% em uma loja pode resultar em um preço melhor do que um desconto de 20% em outra. Compare o valor final, incluindo frete e eventuais custos adicionais. Verifique também se o preço anunciado corresponde ao produto, modelo ou quantidade que você pretende comprar.

3. Leia as condições do código promocional

Confira a validade, o valor mínimo de compra, as categorias participantes e as restrições de uso. Alguns cupons não são cumulativos com outras promoções, enquanto outros só funcionam para determinados produtos ou formas de pagamento. Conhecer as regras evita surpresas na etapa final.

4. Desconfie da pressão para decidir imediatamente

Um aviso de última oportunidade não precisa determinar sua decisão. Se o produto não for essencial, uma pausa pode ajudar a perceber se a vontade de comprar continuará existindo depois que a empolgação inicial diminuir. Quando possível, deixe o item no carrinho e retome a análise mais tarde.

5. Observe o efeito da compra no orçamento

Antes de pagar, confira quanto será gasto no total e quais despesas ainda precisam ser cobertas no mês. Uma compra aparentemente pequena pode fazer diferença quando se repete várias vezes. O objetivo não é eliminar todo gasto espontâneo, mas evitar que pequenas decisões acumuladas comprometam compromissos importantes.

6. Utilize sites de cupons como ferramentas de pesquisa

Consultar plataformas de cupons pode facilitar a busca por ofertas e ajudar a descobrir condições promocionais. Ainda assim, a presença de um código não garante que aquela seja a melhor opção disponível. Confira se o benefício funciona, compare o preço em outras lojas e escolha produtos que correspondam às suas necessidades.

Dica do Cupom Recente

Antes de usar um cupom surpresa, pergunte a si mesmo: eu compraria este produto se não houvesse desconto? Se a resposta for não, avalie com calma se a compra realmente vale a pena. Um código promocional deve ajudar você a economizar, e não criar uma despesa só para aproveitar uma oportunidade.

Compras por impulso e arrependimento: por que vale ter atenção?

A compra não planejada não resulta necessariamente em arrependimento. Algumas ofertas permitem antecipar uma aquisição útil, substituir um produto antigo ou aproveitar um preço que realmente compensa. O ponto de atenção surge quando a decisão acontece sem considerar a necessidade, a capacidade de pagamento ou as consequências para o orçamento.

Um levantamento diferente, divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em novembro de 2024, identificou que 40% dos brasileiros que já haviam comprado pela Internet afirmaram ter feito compras online por impulso e se arrependido depois. Esse dado não mede especificamente compras motivadas por cupons, mas ajuda a contextualizar por que o planejamento merece atenção no comércio eletrônico.

A pesquisa da CNI também destaca a importância de considerar quem respondeu à pergunta: o percentual de arrependimento por compras impulsivas refere-se às pessoas que já compraram online, e não necessariamente a toda a população brasileira. O resultado é um indicador diferente dos 64% da pesquisa da Serasa e não deve ser comparado como se os dois estudos medissem exatamente o mesmo comportamento.

A diferença é importante. Um estudo pergunta sobre produtos comprados fora do planejamento por causa de um cupom; o outro aborda compras por impulso seguidas de arrependimento. Uma pessoa pode fazer uma compra inesperada e ficar satisfeita com ela, enquanto outra pode comprar sem planejar e depois perceber que o gasto não valeu a pena.

Para o consumidor, a lição prática é simples: vale avaliar não apenas quanto o desconto reduz o preço, mas também por que a compra está sendo feita. Uma decisão mais consciente considera a utilidade do produto, o custo total e a compatibilidade com as prioridades financeiras.

Fonte complementar: CNI — Retratos da Sociedade Brasileira: Hábitos de Consumo pela Internet, novembro de 2024.

O que os dados revelam sobre o futuro dos cupons no Brasil?

Os resultados divulgados pela Serasa mostram que os cupons ocupam um espaço relevante na experiência de compra. Para muitos consumidores, eles são uma maneira de reduzir despesas; para outros, também podem ser o incentivo que faltava para decidir por uma compra adicional. Essas duas situações podem coexistir, e é justamente por isso que o assunto merece ser analisado sem tratar todo desconto como uma vantagem automática ou todo gasto inesperado como um erro.

O dado de 64% indica que a influência dos cupons pode ultrapassar o planejamento inicial. Já o percentual de 73% que declarou ter desistido de uma compra por não encontrar um código válido demonstra que a expectativa de desconto também pode interferir na decisão de concluir um pedido.

Ao mesmo tempo, o fato de 70% dos entrevistados afirmarem economizar mensalmente com cupons mostra que esses benefícios podem ter uma função prática na gestão das despesas. A diferença entre uma experiência positiva e uma compra desnecessária está nas condições da oferta e na decisão de cada consumidor.

Para lojas virtuais e plataformas promocionais, os números ajudam a compreender por que os códigos de desconto despertam tanto interesse. Para os consumidores, reforçam a importância de pesquisar, comparar e avaliar as necessidades antes de finalizar uma compra. A melhor promoção não é necessariamente aquela que oferece a maior porcentagem, mas aquela que proporciona uma vantagem real em uma aquisição que faz sentido.

No fim, o objetivo de aproveitar cupons não precisa ser comprar mais. Pode ser comprar melhor, pagar um preço competitivo e manter o controle sobre o dinheiro disponível. Quando o desconto é utilizado com planejamento, ele funciona como uma ferramenta de economia; quando determina sozinho a decisão, pode acabar produzindo o efeito contrário.

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