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9 em cada 10 compradores online já usam marketplaces no Brasil: como comprar pela Internet virou rotina
Comprar pela Internet já não parece uma novidade distante para boa parte dos brasileiros. O que antes despertava dúvidas sobre segurança, entrega e qualidade dos produtos passou a fazer parte da rotina de milhões de consumidores. Hoje, é possível comparar preços, pagar pelo celular e acompanhar uma encomenda sem sair de casa.
Os números ajudam a entender essa transformação. A pesquisa TIC Domicílios 2024, realizada pelo Cetic.br, departamento do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), identificou que 90% dos usuários que compraram pela Internet utilizaram sites de compra e venda, conhecidos como marketplaces. Em 2022, essa proporção era de 72%.
Esse número não significa que nove em cada dez adultos brasileiros compram online. Ele mostra que, entre os usuários que fizeram compras pela Internet, o uso de marketplaces se tornou muito comum. É uma diferença importante para entender os dados sem exagerar o que a pesquisa realmente revela.
O número que chama atenção
90%
dos usuários que compraram online utilizaram marketplaces em 2024
Fonte: pesquisa TIC Domicílios 2024, Cetic.br/NIC.br.
Consultar a publicação oficial.
Dos anos 2000 até hoje: como a desconfiança foi diminuindo
No começo dos anos 2000, comprar pela Internet era uma experiência bem diferente da atual. A conexão não estava presente em tantos lares, os smartphones ainda não faziam parte do cotidiano e muitas pessoas tinham pouca experiência com lojas virtuais. Para quem estava acostumado a escolher um produto pessoalmente, pagar por algo que não podia tocar e esperar a entrega em casa podia parecer arriscado.
Havia dúvidas compreensíveis: será que o produto chegaria? A loja era verdadeira? Os dados do cartão estariam protegidos? E se a mercadoria fosse diferente da fotografia? Sem tanta familiaridade com o comércio eletrônico, alguns consumidores preferiam continuar comprando presencialmente.
A mudança não aconteceu de uma hora para outra. A expansão do acesso à Internet, a popularização dos celulares, a evolução dos sistemas de pagamento e o crescimento das plataformas de venda tornaram a experiência mais acessível. Aos poucos, comprar online deixou de ser algo restrito a consumidores mais familiarizados com tecnologia.
O que mudou na experiência de compra?
- Mais acesso: a Internet passou a estar disponível para uma parcela maior da população.
- Mais praticidade: os celulares permitiram pesquisar e comprar sem depender de um computador.
- Mais informação: avaliações, comparações e perguntas de outros compradores ajudam na decisão.
- Mais opções de pagamento: diferentes meios de pagamento facilitaram a conclusão dos pedidos, embora a segurança continue exigindo atenção.
A Internet mudou, e os hábitos de consumo acompanharam essa transformação
A dimensão dessa mudança aparece também no acesso à rede. Segundo a série histórica da TIC Domicílios, a proporção de domicílios urbanos com Internet passou de 13% em 2005 para 85% em 2024. A pesquisa também registrou que a parcela de habitantes de áreas urbanas considerados usuários de Internet passou de 24% para 86% nesse mesmo recorte histórico.
Esses números ajudam a explicar por que a compra digital ganhou espaço: para comprar online, primeiro é necessário ter acesso à rede e conseguir utilizá-la. Ainda assim, ter Internet não significa necessariamente fazer compras virtuais, e o acesso continua sendo desigual entre diferentes grupos sociais.
| Indicador | 2005 | 2024 |
|---|---|---|
| Domicílios urbanos com Internet | 13% | 85% |
| Habitantes de áreas urbanas considerados usuários da Internet | 24% | 86% |
Fonte: Cetic.br/NIC.br — série histórica da TIC Domicílios. Os dados são referentes a áreas urbanas e não devem ser confundidos com a proporção de pessoas que efetivamente compraram online.
O que os dados revelam sobre as compras online no Brasil?
A edição de 2024 da TIC Domicílios estimou que 73 milhões de pessoas compraram produtos ou serviços pela Internet nos 12 meses anteriores à pesquisa. Esse número correspondia a 46% dos usuários de Internet considerados pelo levantamento.
A pesquisa também apontou crescimento na compra de roupas, calçados e materiais esportivos: essa categoria passou de 64% em 2022 para 71% em 2024 entre os usuários que compraram online, segundo o indicador do estudo. Artigos para casa ou eletrodomésticos, alimentos e cosméticos também apareceram entre as categorias adquiridas.
73 milhões
de compradores online
Estimativa para 2024 entre usuários de Internet.
46%
dos usuários de Internet
Compraram produtos ou serviços online nos 12 meses anteriores.
71%
roupas, calçados e material esportivo
Indicador da categoria entre compradores online em 2024.
Fonte: TIC Domicílios 2024 — publicação oficial do Cetic.br.
Por que tanta gente prefere comprar pela Internet?
1. Comparar preços ficou mais fácil
No comércio presencial, comparar preços pode exigir deslocamento e tempo. Na Internet, o consumidor consegue consultar diversas lojas, observar as características dos produtos e calcular o custo total antes de decidir. Essa facilidade, porém, não garante que a primeira oferta encontrada seja a melhor.
2. O celular virou uma vitrine que cabe no bolso
A possibilidade de pesquisar produtos pelo smartphone tornou o processo mais conveniente. O consumidor pode conferir uma oferta durante uma pausa no trabalho, comparar preços em casa ou acompanhar a entrega pelo aplicativo. Ao mesmo tempo, essa facilidade pode incentivar compras por impulso quando anúncios e notificações criam uma sensação constante de urgência.
3. Avaliações ajudam, mas não resolvem tudo
Comentários de clientes, fotos e notas podem reduzir parte da incerteza que existia quando comprar online era uma experiência menos familiar. Ainda assim, avaliações precisam ser analisadas com cuidado. Comentários repetitivos, avaliações sem detalhes e ofertas muito abaixo do preço habitual merecem atenção.
4. Pagamentos digitais se popularizaram
A TIC Domicílios 2024 identificou o Pix como uma forma de pagamento bastante utilizada nas compras online: 84% dos usuários que compraram pela Internet citaram esse meio. A praticidade não elimina a necessidade de conferir o destinatário, o valor e a legitimidade do vendedor antes de confirmar uma transação.
A confiança aumentou, mas os riscos não desapareceram
A familiaridade com o comércio eletrônico não deve ser confundida com ausência de riscos. Sites falsos, perfis que imitam lojas conhecidas, links fraudulentos e anúncios enganosos continuam exigindo atenção. A experiência acumulada pode ajudar o consumidor a reconhecer sinais de alerta, mas não substitui a verificação.
Antes de finalizar uma compra, confira:
- Se o endereço do site corresponde ao da loja verdadeira.
- Se o preço final inclui frete e outras cobranças.
- Se existem informações claras sobre entrega, troca e devolução.
- Se o vendedor tem identificação e canais de atendimento verificáveis.
- Se o desconto parece real em comparação com o preço praticado em outros lugares.
- Se o destinatário de um Pix ou de outra transferência corresponde à compra que você pretende realizar.
Comprar online também é uma questão de acesso e renda
Nem todos os brasileiros participam do comércio eletrônico da mesma maneira. A pesquisa TIC Domicílios 2024 identificou diferenças relevantes nas compras online conforme a região, a classe social e a escolaridade. Entre os usuários de Internet, a proporção que comprou online foi de 76% na classe B e 23% nas classes DE, segundo os resultados do estudo.
Isso mostra que a expansão do comércio digital não elimina as desigualdades. Ter acesso à Internet, dispor de um aparelho adequado, pagar pelo frete e conseguir utilizar os meios de pagamento disponíveis são fatores que podem influenciar a experiência de compra.
Para algumas famílias, comprar online pode ajudar a comparar preços e encontrar produtos indisponíveis nas lojas próximas. Para outras, o custo de entrega, a falta de conectividade de qualidade ou a insegurança diante de golpes podem continuar sendo obstáculos. Por isso, falar sobre o futuro do e-commerce também significa falar de inclusão digital e de condições de consumo.
Como economizar sem cair em falsas promoções
Com tantas lojas e ofertas disponíveis, pesquisar antes de comprar é uma das maneiras mais práticas de evitar gastos desnecessários. Um cupom de desconto pode ajudar, desde que seja válido e que o preço final realmente compense.
- Compare o preço total: considere frete, prazo de entrega e possíveis taxas.
- Verifique as regras do cupom: confira validade, valor mínimo e produtos participantes.
- Pesquise a reputação da loja: não se baseie apenas em anúncios ou comentários publicados no próprio site.
- Desconfie de urgência exagerada: mensagens como “últimos minutos” não devem substituir a comparação de preços.
- Compre com planejamento: defina o que precisa e quanto pode gastar antes de começar a navegar.
Dica do Cupom Recente
Antes de usar um código promocional, compare o preço em mais de uma loja e confira as condições da oferta. Um desconto anunciado só representa economia quando reduz o custo final de uma compra que realmente faz sentido para você.
O comércio eletrônico virou realidade — e continua mudando
A evolução do acesso à Internet e a popularização das compras digitais mostram uma mudança profunda na relação dos brasileiros com o consumo. O que antes podia parecer uma experiência arriscada para quem não conhecia as lojas virtuais tornou-se uma opção cotidiana para milhões de pessoas.
Os dados da TIC Domicílios ajudam a dimensionar essa transformação: 73 milhões de pessoas compraram pela Internet em 2024, e o uso de marketplaces entre os compradores online chegou a 90%. Ao mesmo tempo, diferenças de renda, escolaridade e acesso mostram que essa realidade não é igual para todos.
A tendência mais importante não é simplesmente comprar cada vez mais, mas fazer escolhas melhores em um ambiente com muitas opções. Comparar, verificar a segurança, entender as condições de venda e aproveitar descontos reais são atitudes que tornam a experiência mais consciente.
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